ISMAIL XAVIER ALEGORIAS DO SUBDESENVOLVIMENTO PDF

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Author:Zuluhn Mazuran
Country:Slovenia
Language:English (Spanish)
Genre:Relationship
Published (Last):6 March 2012
Pages:212
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ISBN:494-5-73605-919-7
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Se considerarmos que a obra de Glauber Rocha apresenta acentuado carater alegorico e se a caracterizarmos como "barroca", cabe pensar os saudaveis problemas que isso suscita.

Primeiro: a questao da permanencia descontlnua e diferencial do barroco e sua particular importancia para as culturas brasileira e latino-americanas. Segundo: a caracterizac;ao de diversas obras de diferentes modalidades artlsticas contemporaneas como alegoricas, particularmente no chamado Terceiro Mundo.

Neste ensaio, sao retomados alguns dos aspectos centrais da dissertac;ao Linguagem- transe: uma aproximaf;ao a Glauber Rocha Fonseca, , os quais sao relacionados, aqui, ao pensamento de Lezama Lim,,: Quando consideramos "barrocos" os filmes e os textos de Glauber, e tambem as obras de diversos outros autores contemporaneos, isso significa que ja nao se toma 0 barroco como um estilo artlstico, de determinada epoca, datado, fixo e morto. Porem, suas mutac;oes e ressurreic;oes, ao longo do tempo, nao fazem dele alguma imorredoura essencia fantasmatica a tomar forma, aqui e ali.

Ao filme, saben do que ha um perlodo historico determinado a que a palavra remete - perlodo em que nao havia filmes -, e claro que temos em mente um tipo de relac;ao estreita entre diferentes modalidades artlsticas de epocas muito diversas.

Sendo uma das caracterlsticas constitutivas do barroco a produc;ao e reproduc;ao de formas que se propagam e se condensam seria interessante pensa- 10 justamente como prol iferaC;ao e transformac;ao forma is incessantes, como um impulso recriativo que se manifesta espacialmente e se estende pelo tempo, desaparecendo aqui, ressurgindo ali, como distensao extensiva que nasce de toda tensao artlstica, polltica, vital. Tal distensao, entretanto, nao faz cessarem as tens6es que a motivam, inclusive as historicas, pois essas continuam a fornecer combustfvel para 0 fogo do barroco, sempre pronto a se alastrar.

Ao contra rio do que se poderia pensar, 0 barroco nao seria condenavel por ser 0 estilo dos momentos de exaustao e decadencia artlsticas, mas pode ser considerado uma reaC;ao criativa e exuberante a certos momentos de tensao, que seriam os das passagens e mudanc;as, reaC;ao essa que nao neutraliza as tens6es, mas que as toma como potencia.

Como escreve Lezama Lima, sobre 0 barroco latino- americano, em A expressao americana, "0 barroco nao e um estilo degenerescente, mas plenario" Lima, , Considerado como fenomeno cultural, nao apenas estetico, 0 barroco e tao amplo e pleno, no pensamento poetico de Lezama, que chega a ser tratado como impulso que anima os momentos mfticos e historicos de fundaC;ao do mundo americano.

Ou melhor, da imagem desse novo mundo, cuja compreensao, enquanto Panamerica, surge de uma concepc;ao panbarroca de uma historia que se constroi tambem como imagem, a partir da colonizaC;ao imposta sobre a paisagem natural e cultural, sendo muito importante o papel do barroco nesse processo. Podemos observar, entao, do ponto de vista historico e geopolltico, que nao so 0 barroco prolifera temporalmente - do perlodo colonial acontemporaneidade -, mas tambem no espac;o geogrMico.

Talvez por isso, Haroldo de Campos afirme que, por causa do barroco, considerado como uma nao-origem, as literaturas latino-americanas "ja nasceram adultas e falando um codigo universal extremamente elaborado: 0 cOdigo retorico barroco" Campos, , Evidentemente, esse novo processo americano e colonial e nao se pode ignorar que ele se instaura com a violenta dominac;ao das culturas indfgenas e com a mao de obra escrava.

Shakespeare, , Cabe lembrar, aqui, 0 que Josely Vianna Baptista chama de "Poetica da Refrac;ao", que seria a de Lezama Lima, vale dizer, a do barroco e do neobarroco, cuja relac;ao e descrita pela autora, lanc;ando mao de metaforas tecnicas e organicas, do seguinte modo: "Emerge assim, em meio a vertigem do talhe e do detalhe, das aguas placentarias do Barroco 0 novo barroco espermatico americano.

Para Lezama, 0 barroco nao e simplesmente a origem da expressao americana, mas algo mais amplo e que nao pode ser delimitado. Afinal, 0 que interessa ao ensafsta cubano e "0 diffcil", 0 qual ele pergunta se pode ser localizado "nas aguas maternais do obscuro", e que e definido assim: Ea forma em devir em que uma paisagem vai em direc;ao a um sentido, uma interpretac;ao ou uma simples hermeneutica, para ir depois em busca da sua reconstruc;ao, que e 0 que marca definitivamente sua eficacia ou desuso, sua forc;a ordenadora ou seu apagado eco, que e a sua visao historica.

Lima, , Segundo 0 poeta e pensador, a visao historica passlvel "e esse contrapontoou tecido entregue pela imago, pela imagem participante na historia. A rigor nao se trata de historia, ou de compreensao filosofica, nos sentidos usuais desses termos, mas de uma prosa ensafstica que pOe em questao a propria noc;ao de historia e 0 pensamento estetico acerca dos problemas de que trata.

Partindo da Iiteratura, principal mente da poesia, das artes plasticas e da arquitetura, seu texto cria imagens alegoricas sobre o papel do barroco na formac;ao cultural americana. Podemos entender esse texto como criac;ao de uma historia alegorica das formas artfsticas do barroco, que incorpora essas formas it propria escrita, mais do que apresenta uma visao historica.

Como vimos, essa visao historica, segundo Lezama, seria um "apagado eco" em eomparac;ao ao entendimento da "forma em devir" da paisagem cultural como tecido dado pela imagem. Para Irlemar Chiampi, "daf ser 0 barroeo um autentieo comec;o e nao uma origem, posto que e uma forma que renasce para gerar nosso devir. Um dos outros coneeitos-chave do eseritor cuba no em A expressao americana e justamente 0 que considera 0 barroeo uma "arte da eontraconquista" Lima, , 80 , glosando a definiC;ao do barroco, dada par Weisbach, como arte da Contra-Reforma.

Para Chiampi, com sua tese da "contraeonquista" uma rebeliao subjacente as formas barrocas, motivada pela condiC;ao do eolonizado , Lezama nao so periila uma polftica para 0 modo americana de apropriar-se da estetica barroca do colonizador como restitui as formas artfsticas a sua abertura para veicular ideologias dfspares. Chiampi, , Assim, se 0 barroeo america no participa do esforc;o colonizador, ele e tambem uma paradoxa I atividade descolonizadora.

Em que sentido? Esse entendimento de uma formac;ao nacional incondusa, imperfeita e sem yma origem fixa se contrapoe, pelo devir, como um "ir sendo", a certas nOl;oes oficiais e oficiosas de nal;aO como algo pronto e acabado, e ao seu isolamento.

Isso nos permite pensar as relac;oes possfveis entre a formac;ao polftica e cultural e a das formas artfsticas, nao como relac;ao de causa e efeito, nao como reflexo especular, mas como relac;6es criativas que permitem tanto 0 reconhecimento do campo cultural pelo artfstico, quanto a revelac;ao de suas diferenc;as, contradic;oes, ambigUidades e dissimulal;6es.

Como exemplo dessa ambiguidade, considere-se a questao da sensualidade presente no barroco, que e tao contorcido por se reprimir e dissimular que chega a gritar de sensualidade, expondo-a sob outras form as, que se espalham, alimentadas por si mesmas, como reac;ao ao recalque, asua propria repressao.

Eassim que 0 barroco pode ser central e marginal ao mesmo tempo: suas formas, sempre dobraveis e desdobraveis, num volteio escapam de novo em proliferac;ao. Eassim que ele e oficial e subversivo ao mesmo tempo, participando, como entende Lezama, da Contra-Reforma e da contraconquista, sendo colonial e anticolonial.

Sao suas formas que Ihe conferem esse poder transformador, ou dissimulador. Severo Sarduy, tanto em La simulaci6n quanta em "EI barroco y el neobarroco" , faz com que estes sejam compreendidos nao apenas como esteticas, mas tambem como er6ticas. Neste ultimo texto, essas esteticas do excesso, do desperdfcio e do artiffcio ligam-se ao erotismo de excec;ao e ao perverso, que poderfamos chamar de polimorfo, afirmando 0 autor: "Como a retorica barroca, o erotismo se apresenta como a ruptura total do nfvel denotativo, direto e natural da Iinguagem - somatica -, como a perversao que implica toda metafora, toda figura.

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Alegorias Do Subdesenvolvimento Ismail Xavier

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